quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Noel quente pra dedel

 A roda de leitura Noel Centenário, em Campos, ferveu. Muito por causa do inesperado defeito no ar-condicionado. Coisas que acontecem. Mas foi dia de rever uma galera inteligente, criativa, e que - além de mandar bem na leitura e nas histórias - ainda curtiu um som.

Quem tiver as fotos, pode mandar. Eu agradeço bastante: edu.ramos@terra.com.br .

Sentirei saudades de Campos no ano que vem, quando parto para projetos no Maranhão. Felicidades.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Campos impressionante

Será que chuvisco é bom?


Primeiro, foi em Teresópolis, semana passada. Casa lotada, roda de leitura movimentada. Nesta quarta, em Campos, talvez o maior público de rodas de leitura que já presenciei: mais de 60.

Aliás, bom nisso mesmo era o Pablo Neruda, poeta chileno, que lia no Estádio Nacional de Santiago, para coisa de 60 mil pessoas (Não que eu queira e possa fazer o mesmo).

Mas, mesmo cansado, não podia deixar de dar um alô para a galera goytacaz (aliás, por onde anda o Goytacaz, time de futebol?). E quem tiver fotos, mande: edu.ramos@terra.com.br . Até a próxima!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Um trelelê em Terê



A roda de leitura "Cultura Popular", no Sesc Teresópolis, tinha tudo para dar errado. Motivos: muita gente e um espaço mais ou menos aberto, um quiosque. Duas escolas, faixas etárias diferentes.... A galerinha do CESO fazia muito barulho quando chegou, mas eles eram, na verdade, felizes. Existe uma diferença entre ser bagunceiro e ser feliz.

Mas a galera leu bem, participou direto, e os menorezinhos do Bom Pastor ficaram também muito ligados. Lucca, Gustavo e Julia (que ganhou o livro) foram muito criativos na narração.

De ruim, só a obra na descida da serra que aumentou em meia hora o tempo de viagem para o Rio. Mas tudo bem.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Da arte de subornar crianças - Um pouco sobre o teatro na escola

Ivinhema (MS), em janeiro de 2008.

Escrevi esse texto em 2002. É raro eu gostar de escritos antigos, mas esse eu continuo gostando. Foi feito quando eu, quase diariamente, visitava escolas para vender espetáculos de teatro. Foi publicado no site de um jornal esotérico, do qual fui colaborador por pouco tempo (apesar de não ser tão esotérico assim).

Importante:  Na época, eu vendia projetos e era integrante do Grupo Te Conto Umas; por isso a menção nas últimas linhas. Hoje não faço mais parte.

***

A coisa não chega a ser generalizada, talvez aconteça muito pouco, mas o desejável seria que não acontecesse nunca. Só que acontece, e anda acontecendo cada vez mais. E pode ser o princípio da deformação de algo que é fundamental no desenvolvimento do gosto pela arte e pelo teatro nas crianças: o suborno.

A coisa se dá assim: um grupo de teatro, ou uma peça, procura uma escola oferecendo seus serviços. A escola, preocupada em fomentar atividades culturais e de entretenimento, ouve a proposta desse grupo. Discute daqui, discute dali, e o bravo representante do espetáculo revela o trunfo: damos brindes às crianças, sem custo para a escola. É claro que não existe nada grátis, bem sabemos, e é certo que o cachê do artista poderia ser mais barato e diminuiria o ingresso que os pais de cada criança pagariam, mas o já citado bravo representante acaba fazendo acreditar que sim. Há também os que oferecem lanche. E há os que promovem emocionantes sorteios de bicicleta, fazendo do espaço escolar uma extensão dos programas de auditório dominicais. 

E o espetáculo? E a qualidade dos atores, da música, dos textos utilizados? Será que não é suficientemente estimulante para crianças e educadores o ‘fazer artístico’? Não é isso que interessa no espaço de uma escola? Será necessário ‘subornar’ crianças, e fazê-las acreditar que um espetáculo vale pelos mimos que distribui e pelas balinhas que atira a elas?

As escolas e os educadores, muitas vezes, são envolvidos por um discurso de vantagens fáceis, e acabam por assimilar esse discurso. E então, quando são procurados por outros profissionais, perguntam: vocês dão alguma coisa para as crianças? E cria-se uma modo Chacrinha de fazer teatro, um hábito de ‘vocês querem bacalhau?”, que fazia todo sentido no Programa do Chacrinha, mas que é uma deturpação grosseira no que diz respeito ao teatro.

Parece-me que não precisamos formar pessoas adaptadas e inseridas nos códigos do populismo. Até é admissível distribuir e sortear o que quer que seja: no Te Conto Umas isso já aconteceu. Vez por outra, uma empresa parceira nossa oferece e se encarrega de providenciar alguns presentes. Mas nunca utilizar isso como gancho, como uma escada, como algo maior do que o espetáculo em si. Você nunca verá um cartaz do Te Conto Umas que comunique mesmo que discretamente “distribuição de brindes”. Se vir, por favor, rabisque a parte em que isso está escrito. Você estará prestando um inestimável serviço a nós. E a todos os que sabem porque o teatro é importante.

sábado, 10 de julho de 2010

Tire a leitura do "cantinho"


No canto da minha casa ficam algumas coisas. Um estante que não uso, um colchão que é usado quando recebo visitas, o aspirador de pó. Apenas coisas com funções restritas. Se eu perdesse esses objetos, talvez nem me preocupasse em os repor. O aspirador eu poderia substituir por uma vassoura ou um pano úmido em minhas faxinas; o colchão eu poderia substituir por um modelo inflável, que ocupa menos espaço. E da estante eu não preciso mesmo.

Esse é o "cantinho" da minha casa.

Falo isso para falar da leitura na escola. Porque, hoje, vejoque existem 3 tipos de espaço para livrosna escola. A biblioteca, a sala de leitura, e o "cantinho da leitura".

A cada roda de leitura que ministro eu faço questão de perguntar ao educador da escola presente qualo espaço de leitura que a escola dispõe. Pois creia. As que dizem que possuem um "cantinho da leitura" mostram alunos com uma situação de leituras bastante precária.

Não é por acaso.

As palavras tem peso, principalmente para as crianças, que estão descobrindo-as. Acho que o "cantinho", ao contrário do um aspecto afetivo, ressalta uma idéia de desimportância. Diz com todas as letras que a leitura ocupa na escola um lugar subalterno, acessório, e que se resume a um "cantinho".

Para o cantinho vão os alunos que ficam de castigo. No cantinho também se colocam as latas de lixo.

Claro que a maioria das escolas possuem poucas salas, e muitos não podem dar-se ao luxo de uma sala específica para os livros. Mas a questão não é essa. A questão é semântica. Não importa que o acervo de livros seja pequeno, acomodável em duas prateleiras. Não importa. Porque aprendi na escola que coletivo de livros é "Biblioteca", e o coletivo se aplica a qualquer coisa que tenha mais de uma unidade.

O que diferencia a minha biblioteca pessoal da Biblioteca Nacionalda Cinelândia é apenas o tamanho do acervo. Apenas.

Por isso, aceitem a sugestão. E botem no cantinho o que tem pouca importância.

sábado, 3 de julho de 2010

História de 2 Copas


(Em 2006; em 2010)


Sou daqueles que não tem superstição porque acha que elas dão azar. Mas vejam:

Em 2006, o Brasil jogava na Copa contra a França pelas quartas-de-final. Fui chamado para fazer uma apresentação teatral no Sesc Tijuca que não esperava fazer, porque não estava escalado para tal. O Brasil perdeu, foi elimidado, e eu fiz o trabalho em seguida.

Em 2010, o Brasil jogou na Copa contra a Holanda, pela quartas-de-final. Na véspera, fiquei sabendo que deveria fazer uma roda de leitura no Sesc Barra Mansa (por causa do jogo, eu esperava seu adiamento).O Brasil perdeu, foi eliminado, e eu fiz o trabalho em seguida.

Por isso, me solidarizo com Mick Jaegger.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Do CEMPI sempre lembrarei

Quem iria a uma roda de leitura sábado de manhã?

Com esta dúvida saí cedo de casa, atravessei a ponte, e cheguei ao Sesc Niterói.

Vi Eliane (não "Elaine"), que tão bem cuidou de outras passagens minhas por lá, e uma bem arrumada roda de cadeiras.

Havia cheiro de possibilidades no ar.

A possibilidade virou acontecimento quando os meninos e meninas do Cempi entraram na biblioteca, e ocuparam seus lugares na roda. Daí em diante, bastou não atrapalhá-los, e eles tomaram conta da roda. Participativos e inteligentes, toparam todas as propostas e me deram ideias para outras. Narraram histórias sem medo algum.

E não esquecer de Rita, uma educadora de vocação e ação.

De arrepiar.

***

Fotos da roda? Mande para: edu.ramos@terra.com.br

quinta-feira, 17 de junho de 2010

A arte de ser avó

Queria ter o talento da escrita para poder homenagear uma avó querida. Não tenho. Recorro a esta crônica de Rachel de Queiroz. Melhor para todos.

Por Rachel de Queiroz

Quarenta anos, quarenta e cinco. Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem suas alegrias, as sua compensações - todos dizem isso, embora você pessoalmente, ainda não as tenha descoberto - mas acredita.

Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade.

Não de amores nem de paixão; a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meu Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos cheios de problemas, que hoje são seus filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento e prestações, você não encontra de modo algum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres - não são mais aqueles que você recorda.

E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis - nisso é que está a maravilha. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino que se lhe é "devolvido". E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito sobre ele, ou pelo menos o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário, causaria escândalo ou decepção, se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.

Sim, tenho a certeza de que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes, que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis.

Aliás, desconfio muito de que netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos. Se o Doutor Fausto fosse avô, trocaria calmamente dez Margaridas por um neto...

No entanto! Nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, o entrave maior, a grande rival: a mãe. Não importa que ela, em si, seja sua filha. Não deixa por isso de ser a mãe do neto. Não importa que ela hipocritamente, ensine a criança a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovozinha" e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais. No fundo ela é rival mesmo. Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante nos triângulos conjugais. A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe banho, veste-o, embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar.

Já a avó não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva a passear, "não ralha nunca". Deixa lambuzar de pirulito. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso dos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia. Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido, antes uma maravilhosa subversão da disciplina. Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer croquetes, tomar café, mexer na louça, fazer trem com as cadeiras na sala, destruir revistas, derramar água no gato, acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser - e até fingir que está discando o telefone. Riscar a parede com lápis dizendo que foi sem querer - e ser acreditado!

Fazer má-criação aos gritos e em vez de apanhar ir para os braços do avô, e lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna...

Sabe-se que, no reino dos céus, o cristão defunto desfruta os mais requintados prazeres da alma. Porém não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas com o seu neto, numa manhã de sol. E olhe que aqui embaixo você ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso. Meu Deus, o olhar das outras avós com seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto!

E quando você vai embalar o neto e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz "Vó", seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.

E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe castiga, e ele olha para você, sabendo que, se você não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade.

Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menino - involuntariamente! - bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beicinho pronto para o choro; e depois o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, vó? Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Fotos - Quem tem pra dar, eu quero


Essa foi feita em 20 de maio, no Sesc Campos.
Mas se por acaso você fez alguma outra, mande por favor para edu.ramos@terra.com.br . E coloque no título algo que lembre mesmo a roda de leitura, porque mensagens como "veja nossas fotos!" são aquelas cheias de coisas maliciosas; no mau sentido.

domingo, 30 de maio de 2010

Neymarland

Por Fernando Barros e Silva
(Folha de São Paulo / 28 de abril de 2010)


"Já foi vítima de racismo?" "Nunca. Nem dentro nem fora de campo. Até porque eu não sou preto, né?". Quem responde é Neymar, a nova divindade do futebol brasileiro. Mesmo quem prefere o gênio apolíneo de Paulo Henrique Ganso deve admitir que o Dionísio da Baixada hoje é "o cara".

Não é bem o caso de discutir se Neymar é ou não é preto. Nem, tampouco, de encrencar com a espontaneidade da sua resposta. Há nela muito mais inocência do que veneno. Neymar é só mais um filho pobre e alegre dessa terra desigual e misturada que ficou subitamente famoso por obra e graça de seus pés.

A entrevista a Débora Bergamasco, publicada pela coluna de Sonia Racy no jornal "O Estado de S. Paulo", é reveladora do que vai na cabeça do jovem moicano da Vila. A parte chata do sucesso? "Não tem parte chata. É sempre legal". Um sonho de consumo? "Queria um carrão". Mas já não comprou um por R$ 140 mil? "Queria um Porsche amarelo e uma Ferrari vermelha na garagem". Tipo de mulher? "Linda". Prefere as loiras? "Sendo linda tá tudo certo".
Alisa os cabelos? "Tem que alisar para o moicano espetar. E também pinto de loiro". Para onde gostaria de viajar? "Para a Disney. Gosto de parque de diversões, de brinquedos radicais". Tirou título de eleitor? "Não, nem queria, mas vou ter que tirar". Sabe quem são os candidatos a presidente? "Não sei, não".

A família de Neymar é evangélica. O pai gerencia os rendimentos do filho e todo mês dá 10% à igreja.

O que pensar disso tudo? Que talvez não seja descabido ver nesse mundo infantilizado de fantasias e clichês de consumo a nossa "Neverland". Há, inclusive, algo da figura etérea de Michael Jackson na arte de Neymar. E, se existe hoje algo como um "brazilian dream", ele poucas vezes esteve tão bem caracterizado como aqui, em "Neymarland".
Há no país 37 milhões de jovens de 16 a 24 anos. Metade deles não estuda. Pergunte o que gostariam de ser ou de ter sido. Quantos deles responderiam "Neymar"?

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A Roda em Campos - Máxima alegria

Foi uma alegria imensa voltar a trabalhar no Sesc Campos. E a garotada também era o máximo! Tímidos no começo, deram show no fim. Fernanda, Lohan, Gabriel... Todo mundo e eu não vou conseguir lembrar os nomes.

Abraços também para Elisângela, que fotografou. Espero que me mande algumas imagens...

terça-feira, 25 de maio de 2010

Campos - Ontem, hoje e semana que vem

Escrevo hoje para amanhã. Se você me lê agora provavelmente esteve no Sesc Campos, quarta, dia 26 de maio. A roda de leitura de Campos é o primeiro de 17 passos até julho. Tomara que seja divertido; acho que será.

A primeira vez que trabalhei no Sesc Campos foi em 2004. Antes, em 2003 fiz uma apresentação em uma escola campista, chamada João e Maria. Foram muitas visitas, sempre com o Te Conto Umas, onde tive o prazer de trabalhar como ator até 2008. Esse, aliás, o ano da minha última apresentação por estas bandas.

Tomara que este espaço funcione e dê para trocar idéias com muita gente. Um abraço.